A jornada máxima de trabalho permitida atualmente no Brasil é de 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) horas semanais. A discussão em torno do fim da jornada 6×1 é a redução da carga horária para 36 (trinta e seis) horas semanais.
A jornada de trabalho 6×1, caracterizada por seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um dia de descanso, é amplamente utilizada em diversos setores da economia brasileira, especialmente no comércio, indústria e serviços essenciais.
Na prática, muitos trabalhadores submetidos à jornada de trabalho de 44 (quarenta e quatro) horas semanais trabalham efetivamente 5 dias por semana, em decorrência da compensação de horário durante a semana para evitar o labor aos sábados.
Nos últimos anos, intensificaram-se debates sobre a necessidade de redução desta jornada, motivados por fatores como saúde mental dos trabalhadores, produtividade e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Eventual aprovação da proposta que restringe ou extingue o modelo 6×1 exigirá das empresas adaptação organizacional, financeira e estratégica, gerando novos desafios e oportunidades.
- Argumentos Favoráveis ao Fim da Jornada 6×1
Entre os argumentos que impulsionam essa discussão estão a saúde física e mental dos trabalhadores, a qualidade de vida, a convivência social, a produtividade e as tendências internacionais de redução de jornada.
Estudos indicam que jornadas extensas e com poucos períodos de descanso podem aumentar o estresse, a fadiga, a ansiedade e doenças ocupacionais, além de limitar o tempo de convivência familiar, de lazer e de socialização do empregado. Acredita-se que empregados que usufruem de um tempo maior de descanso são mais produtivos.
Ressalta-se que diversos países vêm experimentando modelos de semana de trabalho reduzida, com resultados positivos em produtividade e bem-estar. Como exemplo tem-se a França e a Dinamarca, que adotaram jornada de 5 (cinco) dias na semana, e Bélgica e Reino Unido com 4 (quatro) dias.
- Principais Desafios para as Empresas
Caso ocorra a extinção da jornada 6×1, as empresas enfrentarão diversos desafios, sendo necessário se adaptarem à nova realidade com planejamento financeiro e operacional.
O aumento de custos operacionais precisa ser estudado, considerando a possibilidade de contratação de trabalhadores adicionais para cobertura de escalas, o que demandará planejamento logístico compatível com o ramo de atividade.
As escalas de trabalho devem redesenhar turnos, reorganizar jornadas e garantir cobertura de horários. Nos setores cujas atividades dependem de funcionamento contínuo a transição se torna mais complexa. Muitas empresas ainda possuem modelos de gestão baseados em presença física e horas trabalhadas, não em resultados. A mudança exigirá uma transformação cultural e gerencial.
- Alternativas para as Empresas
Diante desse cenário, algumas estratégias podem ser adotadas para minimizar impactos.
- Escala 5×2
Esse modelo já é adotado em diversos países e empresas.
Na escala 5×2, os colaboradores trabalham 5 dias consecutivos seguidos de 2 dias de descanso. Esta escala deve ser adaptada de acordo com o caso concreto, considerando a jornada semanal de 40h ou 44h.
Caso permaneça a carga horária de 44h semanais, a jornada pode ser organizada de duas formas:
- 8h45 por dia nos 5 dias de labor ou
- 8h diárias com compensação de horas.
Em se tratando de empresas que demandam serviço contínuo, os colaboradores podem ser organizados em equipes alternadas, para que todos possam usufruir de descanso aos sábados e domingos:
- Equipe A – segunda a sexta-feira
- Equipe B – terça-feira a sábado
- Equipe C – quarta-feira a domingo
O banco de horas pode ajudar na transição das jornadas, permitindo a compensação de horas extras e flexibilidade em períodos de maior movimento.
- Escala 12×36
A escala 12×36 é bastante utilizada em atividades contínuas como setores da saúde, vigilância, portarias entre outros. Os colaboradores trabalham 12 horas consecutivas seguidas de 36 horas de descanso.
No Brasil, essa jornada é permitida pela legislação trabalhista, desde que prevista em acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo.
Todavia, a adoção desta escala deve ser analisada com cautela, visto que não é a melhor alternativa em alguns ramos de negócio.
Nesta modalidade há menor número de trocas de equipes ao longo do dia, o que pode reduzir falhas operacionais, melhorar continuidade do trabalho e aumentar eficiência em certos serviços.
Por outro lado, há algumas limitações como baixa da produtividade nas horas finais da jornada, fadiga, maior risco de acidentes.
O debate sobre o fim da jornada 6×1 reflete uma transformação nas relações de trabalho contemporâneas, marcada pela busca por equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida.
Caso essa mudança seja implementada no Brasil, as empresas precisarão investir em reorganização operacional, inovação tecnológica e novos modelos de gestão.
Apesar dos desafios iniciais, a transição pode representar uma oportunidade para modernizar a gestão do trabalho, aumentar o bem-estar dos trabalhadores e estimular maior eficiência organizacional.
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13/03/2026





